Fraude em licitações de máquinas pesadas movimenta R$ 406 milhões
Polícia Federal deflagra operação contra esquema de cartel e propina em contratos públicos no Rio Grande do Sul e em São Paulo.

A Polícia Federal deflagrou em 27 de fevereiro de 2026 a Operação Terra Arrasada para apurar fraude em licitações de máquinas pesadas que totalizam R$ 406 milhões em contratos públicos. A corporação policial constatou frustração do caráter competitivo por meio de combinação de propostas e pagamento de propina a agentes públicos. A investigação aponta que empresas autônomas geridas pelos mesmos donos fingiam disputa em concorrências públicas no Rio Grande do Sul e em São Paulo entre 2017 e 2026, conforme apuração publicada por força do vale.
Em seguida, a Justiça Federal determinou o sequestro de bens e imóveis até o limite de R$ 14 milhões e ordenou o cumprimento de 13 mandados de busca e apreensão. Os órgãos de controle identificaram que a atuação coordenada burlava as regras de contratação pública. Essa prática ilegal gerou prejuízos expressivos ao erário estadual e federal ao longo dos anos de atividade criminosa.
Operação investiga contratos de máquinas pesadas
A Polícia Federal executou em 27 de fevereiro de 2026 a Operação Terra Arrasada para apurar contratos que somam mais de R$ 406 milhões voltados para a comercialização de 724 máquinas. Desse montante total apurado pelo órgão policial, cerca de 40% corresponde a ajustes financeiros firmados com verbas repassadas pela União.
A apuração conduzida indica que o esquema movimentou o mercado de compras públicas entre 2017 e 2026. Durante esse período, o grupo investigado utilizou artifícios para direcionar a aquisição de maquinário pesado por administrações públicas estaduais e municipais.
A mecânica da fraude consistia na participação simultânea de empresas formalmente independentes, mas controladas de fato pelos mesmos responsáveis. Essas companhias simulavam disputa comercial em licitações e adotavam a adesão a atas de registro de preços para burlar a concorrência legal.
A ata de registro de preço funciona como um documento vinculativo onde o fornecedor registra valores e condições para futuros fornecimentos à administração pública. A utilização fraudulenta desse instrumento permitia que o grupo burlasse a disputa de preços exigida na contratação pública convencional.
A investigação policial detalha que as propostas comerciais apresentadas passavam por manipulação prévia para garantir a vitória do consórcio oculto. Os preços praticados superavam as margens habituais de mercado, enquanto agentes públicos recebiam vantagens indevidas para facilitar a homologação dos certames.
Como consequência prática para o setor empresarial, a Justiça Federal determinou o bloqueio de bens dos envolvidos e aplicou restrições severas. Com isso, as três empresas apontadas no esquema perderam o direito de participar de novas licitações e de celebrar contratos administrativos.
Medidas cautelares contra empresas suspeitas
A Justiça Federal determinou o bloqueio patrimonial de bens e aplicou restrições severas contra os envolvidos no esquema ilícito de comercialização de equipamentos rodoviários. A atuação do poder judiciário alcança tanto o patrimônio pessoal dos investigados quanto a capacidade operacional das companhias que participavam das fraudes em concorrências públicas.
Conforme a decisão judicial emitida para o caso, a Justiça autorizou 13 mandados de busca e apreensão cumpridos em Venâncio Aires, Santa Cruz do Sul, Lajeado, Canoas, Santa Maria e Jacareí. Os agentes públicos recolheram oito veículos de luxo, aparelhos celulares e documentos relevantes para a continuidade das investigações conduzidas pelas autoridades competentes.
Além das apreensões de bens materiais, o tribunal determinou o sequestro de imóveis e veículos até o limite de aproximadamente R$ 14 milhões. Essa medida patrimonial visa assegurar a reparação integral dos danos causados aos cofres públicos e impedir a ocultação de ativos adquiridos com recursos desviados de contratos administrativos.
No âmbito das penalidades aplicadas ao setor privado, três empresas foram impedidas de participar de novas licitações e de celebrar contratos públicos. Essa sanção administrativa cautelar suspende temporariamente a habilitação jurídica das companhias, requisito obrigatório para qualquer fornecedor que deseja negociar com a administração pública nas esferas federal, estadual e municipal.
A apuração policial conduzida pela Polícia Federal aponta crimes graves contra a ordem econômica e a administração pública, como fraude em licitações, corrupção ativa e passiva, formação de cartel e lavagem de dinheiro. O uso de empresas fictícias ou controladas pelos mesmos responsáveis para simular disputa de preços configura crime contra a Lei de Licitações e Contratos Administrativos.
Para o mercado de fornecedores de máquinas pesadas, a imposição dessas medidas cautelares demonstra o rigor na fiscalização de atas de registro de preços e de adesões posteriores. Empresas que adotam práticas anticoncorrenciais enfrentam o risco imediato de exclusão dos certames e perda de contratos em vigor, além de responsabilização criminal dos sócios.
Histórico de fraudes em licitações no estado
A Operação Terra Arrasada integra uma linha sucessiva de investigações conduzidas contra cartéis no Rio Grande do Sul, superando em volume financeiro apurações anteriores conduzidas por autoridades federais. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica monitora esse mercado e aponta que a atuação coordenada de empresas simulando concorrência representa um padrão recorrente em certames públicos do estado.
A ofensiva policial atual encontra antecedentes em grandes apurações das autoridades federais que desmantelaram esquemas bilionários de fraude em compras governamentais. A Operação Union investigou fraudes licitatórias em 2021 com movimentação superior a R$ 500 milhões em contratos públicos. Esse inquérito anterior revelou o uso de artifícios societários idênticos aos identificados na comercialização de equipamentos rodoviários fiscalizada no início de 2026.
A atuação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica ganhou destaque com a Operação Camaleão, que investigou cartel em licitações em 2024 com contratos superiores a R$ 460 milhões. O órgão antitruste identificou que a fragmentação de propostas em lotes simulava disputa comercial, técnica idêntica à empregada pelas empresas investigadas no fornecimento de máquinas pesadas.
Para as empresas que participam de licitações públicas, o histórico dessas operações reforça a exigência de programas de compliance rigorosos para evitar qualquer associação com consórcios fraudulentos. Os órgãos de controle utilizam cruzamento de dados fiscais e bancários para identificar padrões repetitivos de conluio entre fornecedores formalmente independentes.
Impacto nas compras públicas e na concorrência
O efeito prático para o mercado de fornecedores envolve a distorção da competitividade por meio de artifícios ilícitos que neutralizam a disputa justa entre concorrentes. A Polícia Federal detalha que as empresas investigadas simulavam concorrência e combinavam propostas para fraudar licitações públicas de máquinas pesadas.
Na prática, o grupo mantinha preços artificialmente elevados nos certames de comercialização de equipamentos rodoviários. Essa estratégia criminosa afastava os fornecedores honestos que participam de licitações de forma legítima, pois os valores combinados impediam qualquer disputa baseada em eficiência ou economia para a administração pública.
A investigação aponta ainda o uso de adesões a atas de registro de preços para reduzir a competição nos procedimentos de contratação. O documento que formaliza o registro de preços serve como um catálogo para que órgãos públicos adquiram bens sem realizar uma nova licitação completa, mas o mecanismo foi manipulado para beneficiar o esquema.
Empresas que participam de licitações de forma honesta enfrentam barreiras intransponíveis quando concorrentes utilizam atas viciadas para blindar mercados e direcionar aquisições. A manipulação de atas de registro de preços desvia o fluxo natural de contratações públicas e suprime a possibilidade de novos fornecedores apresentarem propostas vantajosas.
A atuação coordenada das companhias sob a mesma influência gerava uma falsa aparência de pluralidade nos processos de compra. Enquanto a simulação de concorrência enganava os agentes públicos responsáveis pelos editais, os fornecedores idôneos perdiam espaço em um ambiente comercial dominado por preços inflacionados e acordos subterrâneos entre os investigados.
O que acontece a seguir
A Polícia Federal conduz a fase atual do caso por meio de investigações sobre os contratos de máquinas pesadas firmados entre 2017 e 2026. A Justiça Federal determinou o bloqueio patrimonial e aplicou restrições severas contra os envolvidos no esquema ilícito de comercialização de equipamentos rodoviários.
Três empresas investigadas perderam a capacidade de concorrer em novos certames públicos. A punição impede a celebração de contratos com administrações públicas federal, estadual e municipal.
A apuração policial tramita em sigilo na fase de investigação policial, com o cumprimento de 13 mandados de busca e apreensão e medidas cautelares de sequestro de bens até o limite de R$ 14 milhões.
Com informações de força do vale.
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